O descaso com a História

O descaso com a História

04 set 18

Publicado por
Marcito Castro

O descaso com a História

“Em 1944, Jorge Luis Borges publicava a controversa história de Funes, o Memorioso. Um sujeito que lembrava de tudo, tudo. Lembrava tanto que de nada ele conseguia esquecer!

 

No último domingo, 02 de setembro de 2018, vingamos Funes e, no ardor de chamas, golpeamos a nossa memória. Com choro, e sem velório, enterramos o Museu Nacional do Rio de Janeiro que, ironicamente, morria no ano de seu bicentenário.

 

Pesquisa, patrimônio, ciência, história... se foram. Mas, acima de tudo, se foi parte da nossa memória!

 

Em um presente onde contemplamos o efêmero, um museu parece estar atravancado no caminho da velocidade, da pressa, do tempo útil. Mas ele é parte constitutiva da corrente sanguínea de qualquer sociedade, é êmulo do sistema nervoso central da identidade que nos narra e que nos dá forma enquanto grupo. Museu é memória. Memória é identidade. Identidade é pertença. Pertença é acesso à História!

 

Nas chamas do Museu Nacional, um pouco de tudo isso subitamente se foi. Vítima do descaso, do desamparo, da frenesi do superinvestimento, o Museu estava doente, e então morreu.

 

E o que acontece com uma sociedade que desvaloriza o cuidado e o investimento em sua memória e sua História? Ela se torna uma sociedade que vai desvalorizar o cuidado e o investimento em sua memória e História! Sim, em um repetitivo movimento autofágico estaremos encurralados na perda do passado. Perderemos o ontem... e, trancafiados no hoje, talvez, condenemos o amanhã.

 

Longa vida aos museus! Porque só com os degraus do passado terminaremos a escada do nosso futuro!”

 

Por Marcito Castro

 

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